cartão de embarque

Carta de Embarque

Uma carta-diário antes da nossa aventura começar. Pega um café, respira, e lê com a gente. ♡

25 · julho

querido diário —

Querida irmã,

Antes de você começar essa jornada com a gente, antes de falarmos sobre voluntariado, malas, documentos, dinheiro e todos os detalhes que podem te ajudar a transformar esse sonho em realidade, queremos te contar um pouco da nossa trajetória. Não porque acreditamos que existe uma fórmula pronta para viajar pelo mundo, mas porque sabemos que muitas vezes tudo começa quando encontramos alguém que nos mostra: "eu também tive medo, eu também tive dúvidas, mas eu fui mesmo assim". Então, antes de você embarcar nessa aventura, queremos que você conheça as duas pessoas que estarão segurando sua mão durante esse caminho.

Nós somos as Gêmeas pelo Mundo, mas antes de sermos gêmeas somos Isabela e Isadora, ou Isadora e Isabela, dependendo de quem está contando essa história hahaha. Somos irmãs gêmeas de 25 anos e, apesar de muitas pessoas acharem que por sermos parecidas fazemos tudo igual, a verdade é que somos completamente diferentes. Isadora sempre foi aquela pessoa que chega em um lugar e parece que conhece todo mundo em poucos minutos. Ela é extrovertida, engraçada, animada e tem uma energia de quem olha para uma ideia completamente inesperada e pensa: "vamos tentar, depois a gente vê o que acontece". Já Isabela é mais calma, tranquila, bondosa e observadora, gentil, mas normalmente é aquela que pega uma ideia maluca e começa a pensar em como transformar aquilo em realidade, além de pensar em todos as ideias mais insanas também. E talvez seja justamente essa mistura de personalidades tão diferentes que fez a nossa história acontecer.

Desde pequenas, a arte sempre esteve presente na nossa vida. A música, a criatividade, o movimento e principalmente a dança sempre fizeram parte de quem somos. Começamos a dançar aos 9 anos e nunca mais conseguimos parar. A dança deixou de ser apenas uma atividade e se tornou uma forma de enxergar o mundo. Fizemos faculdade de dança, trabalhamos como professoras e tivemos a oportunidade de ensinar para outras pessoas aquilo que um dia também transformou a nossa vida. Foram anos dentro de salas de aula, ensaios, apresentações, nervosismo antes do palco e momentos que carregamos até hoje. E talvez você esteja se perguntando: "mas o que a dança tem a ver com viajar pelo mundo?" A resposta é: tudo. Porque antes de aprender a fazer uma mala e embarcar para outro país, nós aprendemos a enfrentar o medo de entrar em um palco.

A dança nos ensinou que coragem não significa não sentir medo. Coragem é sentir aquele frio na barriga, a insegurança e a vontade de fugir, mas ainda assim escolher tentar. Nossa professora repetia uma frase que ficou guardada dentro da gente durante todos esses anos: "não existe eu não consigo, existe eu vou tentar". E essa frase apareceu muitas vezes na nossa vida, inclusive quando decidimos sair do Brasil. Ela também sempre brincava dizendo: "está com medo do quê? Do chão não passa". Hoje, olhando para trás, percebemos o quanto essa frase é verdadeira. Quantas oportunidades deixamos passar porque temos medo de cair? Quantos sonhos ficam parados porque esperamos sentir coragem antes de começar?

Antes de entrar no palco, nós tínhamos um ritual que nunca esquecemos. Fazíamos um círculo com todas as pessoas que iriam se apresentar e cada uma dizia: "eu preciso de você". Naquele momento, talvez a gente não entendesse completamente o significado daquela frase, mas hoje ela faz muito sentido. Nenhuma história é construída sozinha. Sempre existe alguém que inspira, alguém que ensina, alguém que aparece no momento certo e muda uma pequena parte do nosso caminho. A nossa jornada pelo mundo também foi construída assim: com pessoas que cruzaram nossa estrada, com encontros inesperados e com mãos que seguraram as nossas quando tivemos dúvidas.

Outra frase que nossa professora dizia antes das apresentações era: "dance como se fosse a última vez". E talvez essa tenha sido uma das maiores lições que a dança poderia nos dar. Porque a verdade é que sempre é a última vez de alguma coisa. Você nunca mais vai dançar exatamente daquela mesma forma, naquele mesmo palco, com aquela mesma plateia. O momento passa, você muda, a vida muda. E foi dentro da dança que começamos a entender algo que levaríamos para qualquer lugar do mundo: tudo está em movimento.

Mesmo amando a dança, amando ensinar e amando espalhar arte por aí, existia dentro da gente uma vontade que nunca desapareceu. Uma curiosidade, uma inquietação, uma pergunta que aparecia de tempos em tempos: "e se tiver mais?" E talvez você esteja sentindo algo parecido agora. Talvez exista dentro de você uma vontade de conhecer outros lugares, viver outras histórias ou descobrir uma versão sua que ainda não apareceu. A gente não saiu do Brasil porque não amava nossa vida. Pelo contrário, nós amávamos tudo que tínhamos construído. Mas entendemos que algumas partes da gente só aparecem quando temos coragem de sair do lugar conhecido.

Então decidimos abrir espaço para uma nova aventura. Vendemos muitas coisas que tínhamos, guardamos aquilo que realmente importava e tudo que sobrou coube em quatro malas. Quatro malas carregando sonhos, medo, saudade e uma vontade enorme de descobrir o que existia do outro lado do oceano. Nosso primeiro destino foi Portugal, passando por Porto e Lisboa, aquele primeiro contato com uma realidade completamente diferente. Era uma sensação estranha: uma parte da gente ainda estava ligada à vida que deixamos no Brasil, enquanto outra começava a perceber que uma nova história estava começando.

Depois seguimos para Malta, o lugar onde a nossa aventura realmente começou. O nosso plano era simples: estudar, trabalhar e viver uma experiência internacional. Nas primeiras semanas, parecia que tudo estava dando certo. Conseguimos emprego, começamos uma rotina e sentimos que estávamos construindo uma pequena vida longe de casa. Mas a vida, como sempre, tinha outros planos. Com a chegada da baixa temporada, perdemos nosso emprego junto com outros colegas e, de repente, saímos de empregadas na Europa para desempregadas na Europa. E irmã, vamos ser sinceras: deu medo. Porque uma coisa é sonhar em viajar pelo mundo, outra coisa é estar do outro lado do oceano, pagando aluguel, supermercado, transporte e todas as contas em euro enquanto o dinheiro começa a diminuir.

Fizemos contas muitas vezes. Tentamos novos empregos. Mandamos currículos para todos os lugares possíveis. Procuramos alternativas. E uma pergunta começou a aparecer cada vez mais forte: "e agora?" Nós tínhamos duas opções: voltar para o Brasil ou encontrar uma nova maneira de continuar. Foi assim que surgiu o nosso primeiro voluntariado. Em Malta mesmo. Durante duas semanas ajudamos um hostel com redes sociais e produção de conteúdo. Lembramos até hoje da sensação de chegar naquele lugar, daquele frio na barriga.

Nesse voluntariado, conhecemos uma mulher que depois virou uma amiga, ela estava viajando por alguns países com o voluntariado, e então Malta não era mais a nossa única possibilidade, e começamos a pensar em outros destinos. Naquele momento entendemos que, às vezes, a vida coloca uma porta na nossa frente e tudo que precisamos fazer é ter coragem para abrir.

Conhecemos pessoas incríveis, criamos conteúdos, aprendemos novas habilidades e vivemos uma experiência que mudou completamente a nossa forma de enxergar o mundo. Em um dos dias, fizemos uma trilha com o nosso anfitrião para produzir conteúdo e, olhando aquela paisagem, percebemos uma coisa: talvez aquele medo todo tivesse sido apenas o começo de uma história muito maior.

Hoje estamos no nosso oitavo voluntariado. Passamos por diferentes países, conhecemos pessoas de todos os lugares, dormimos em camas diferentes, dividimos cozinhas, conversamos com desconhecidos que viraram amigos e aprendemos que uma casa não é apenas um endereço. Às vezes, casa é uma experiência. É uma pessoa que aparece no momento certo. É uma lembrança que você leva para sempre. O que começou como uma necessidade financeira acabou se transformando no nosso jeito de viajar, conhecer culturas e viver o mundo.

Durante essa jornada também aprendemos algo muito importante: a estrada ensina a se reinventar. Nós começamos a buscar formas de trabalhar remotamente, demos aulas de português para estrangeiros, editamos vídeos, trabalhamos com redes sociais, criamos conteúdo e descobrimos novas possibilidades. E ainda vamos nos reinventar muitas vezes, porque a vida não é uma linha reta. Ela muda, se transforma e nos convida a descobrir novas versões de nós mesmas.

E é por isso que estamos escrevendo essa carta para você. Porque talvez você esteja exatamente onde nós estávamos um tempo atrás. Talvez esteja sentada no seu quarto, olhando fotos de lugares distantes, imaginando como seria viver uma aventura assim, mas pensando se realmente é possível. E a gente quer te contar uma coisa: nós também tivemos medo. Nós também duvidamos. Nós também pensamos que talvez fosse loucura. Mas aprendemos que coragem não aparece antes do primeiro passo. A coragem nasce enquanto caminhamos.

Então seja bem-vinda, irmã. Esse é o começo da nossa história, mas talvez também seja o começo da sua.

Com carinho,
Isabela e Isadora

Gêmeas pelo Mundo ✦

mural do quarto

memórias na parede

nossas fotos favoritas, grudadas com fita ♡

porto, primeiro gelato
lisboa · jerônimos
roma à noite ♡
malta · blue lagoon
malta, de novo
pronta pra decolar
por-do-sol
colosseo
pisa (claro hahaha)